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A planta brasileira do Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC), que desde 2002 mantinha crescimento estável, declinou de 39,8 milhões de acessos em serviço, em 2005, para 38,8 milhões no final de 2006 (gráfico 1). Contrastando com as importâncias econômica, social e estratégica dessa modalidade de telecomunicação, o declínio já era esperado. A queda de um milhão de acessos (2,5%) fixos no Brasil, no exercício de 2006, veio na esteira de uma tendência mundial que, já na virada de 2002 para 2003, apontava decréscimos que variaram de 2%, em Portugal, a 6%, na Espanha.
No fluxo desse movimento, outros países também registraram declínios em suas plantas fixas nos anos de 2002 e 2003: Japão (5%), Estados Unidos (4%) e Itália (3%), conforme indicadores da União Internacional de Telecomunicações (UIT). As razões apontadas para essa queda em escala mundial são o crescimento da telefonia celular, o crescimento da banda larga – que possibilita provimento de VoIP – e a substituição de troncos por linhas dedicadas de banda larga no mercado corporativo. No Brasil, juntam-se a esses fatores a baixa condição socioeconômica de parcela da população e o diferencial entre o valor de aquisição do telefone móvel pré-pago e o valor da assinatura básica da telefonia fixa. Não obstante o contraste dessa situação com o pós-privatização do Sistema Telebrás (1998), período em que a planta de telefonia fixa registrou saltos gigantescos de crescimento (gráfico 1), todos os 5.564 municípios brasileiros dispõem de telefonia fixa com acesso individual (residencial ou tronco) e coletivo– Telefone de Uso Público (TUP). Ademais, a telefonia fixa chega a pequenos núcleos habitacionais, como aldeias indígenas, assentamentos, localidades isoladas de fronteiras, como se relata, adiante, no capítulo Universalização. Teledensidade O gráfico 2 mostra, em comparação com a teledensidade média nacional (20,7/100), quais as cinco unidades da Federação com maiores e as cinco com menores índices de teledensidade nos acessos em serviço. TUP Acessos instalados Competição Com relação às chamadas de Longa Distância Internacional (LDI), registrou-se, no exercício, a continuidade da competição entre as mais expressivas operadoras dessa modalidade. A parcela de participação no mercado da concessionária Embratel, em 2006, foi de 56,73%, registrando crescimento em relação a 2005 (54,09%). Em segundo lugar ficou a Telefônica, com participação de 16,52%, contra 16,35% em 2005; a Telemar alcançou participação de 10,26% em 2006, menor que a de 2005 (13,21%). Outra participação em declínio foi a da Intelig, que de 8,15% em 2005, caiu para 5,30% em 2006; o grupo de 'outras operadoras', que junta empresas de menor porte, saltou de uma participação de 8,20% do mercado em 2005, para 11,19%, em 2006. Nesse cenário, as duas mais relevantes mudanças ocorreram na participação da Embratel, que detinha fatia de 76,48% do mercado em 2003, e no final de 2006 registrava participação de 56,73%; e na da Intelig, que de 21,22% de participação em 2003, declinou para 5,30% em 2006. Essas ocorrências se deram em um mercado que ganhou certo equilíbrio competitivo desde 2004, quando dele começaram a participar as operadoras Telemar e Telefônica, principalmente. A competição nos segmentos LDN e LDI, tal qual previa o novo modelo das telecomunicações brasileiras, pode ser medida também pelos registros do Sistema de Informações sobre Preços e Tarifas (SIPT), serviço disponibilizado pela Anatel em seu portal na internet para permitir a pesquisa de preços entre operadoras. Por ele, vem-se percebendo diferenças de preços para uma mesma chamada, em determinados horários, com variações que apontam para índices ainda elevados – tanto nas chamadas de LDN quanto nas de LDI –, sinalizadoras de saudável concorrência entre as operadoras, em benefício do usuário. Tarifas e preços Com a aplicação das cláusulas contratuais, a Cesta da modalidade Local, composta pelos valores de assinatura (valor médio ponderado) e pulso (valor de tarifa), foi reajustada para baixo, em média, pelo percentual de -0,5%; a Cesta da modalidade Longa Distância Nacional, composta da tarifa do minuto do Plano Básico em razão do horário e do dia da semana, em média pelo percentual também negativo de -2,8%; e a Cesta da Longa Distância Internacional, composta da tarifa do minuto no Plano Básico em razão do destino – grupo ou região, do horário e do dia de semana, em -9,97%. A tarifa do crédito utilizado no Telefone de Uso Público registrou, em 2006, fato inédito na história dessa modalidade de telefonia: a primeira redução que, embora pequena (0,43%), passou de R$ 0,1165, para R$ 0,116. Uma Unidade de Telefonia Pública permite ao usuário do TUP dois minutos de conversação. No ano de 2006, foram efetivados também os reajustes das tarifas de comunicação fixo-móvel de Longa Distância Nacional (VC-2 e VC-3) das concessionárias do STFC. O reajuste que, considerada a variação do IGP-DI entre os meses de dezembro de 2004 e dezembro de 2003, seria de 12,14%, foi de 7,99% e embutiu um Fator de Transferência de 3,7%. Por sua vez, as tarifas de comunicação fixo-móvel de âmbito local (VC-1) não sofreram reajuste em 2006. Prevaleceu o reajuste de 7,99%, de meados de 2005, que embutiu amortecimento do IGP-DI por um Fator de Transferência também da ordem de 3,7%. Por fim, destaca-se na tabela abaixo a evolução da cesta de serviços do Serviço Telefônico Fixo Comutado na modalidade Local, desde 1998, evidenciando-se cada um de seus componentes. Os valores tomados como exemplo são de uma das cinco prestadoras de telefonia fixa em operação no País e refletem o atual contexto tarifário. O gráfico 4 mostra a evolução dos índices de correção contratual da cesta de serviços e das tarifas de prestação do STFC, desde 1998, com base nos valores da tabela acima. Para facilitar a visualização e a interpretação, cada componente daquela tabela parte de base comum, permitindo que cada item seja observado de modo comparativo. Qualidade Observou-se, no exercício de 2006, que a entrada em vigor do novo PGMQ e do Regulamento de Indicadores de Qualidade do STFC não só assegurou os avanços tecnológicos alcançados pelas prestadoras no período anterior, como acrescentou ganhos. A visibilidade de ocorrências, que anteriormente permaneciam ocultas sob resultados consolidados por setor, por região ou por área de atuação das prestadoras, foi ampliada. A introdução da mensuração em cada uma das 67 áreas de numeração do País, em substituição às mensurações usadas no Plano anterior, elevou a quantidade de itens de qualidade diretamente monitorados de 15.912, em 2005, para 63.888, em 2006 (quadro que acompanha o gráfico 5). A eficácia do novo controle de qualidade, com benefícios para os usuários, pode ser medida também por estes registros: em 2005, eram visíveis quatrocentas metas não cumpridas (2,5% das obrigações). Caso esse mesmo desempenho fosse avaliado em 2006, pelos novos critérios, as metas não cumpridas somariam 3.752 (5,05%). No exercício de 2006, o novo método tornou visíveis 5.529 metas não cumpridas, correspondentes a 8,6% das obrigações. Ademais, indicadores de manutenção de Telefone de Uso Público e que anteriormente não eram obrigatórios no cômputo dos indicadores, tornaram visíveis remoções de defeitos observados por meio de equipamentos de tele-supervisão das concessionárias. Digitalização Outorgas Quanto aos benefícios gerados, alinham-se os seguintes: as novas outorgas contribuíram para um ambiente mais competitivo no mercado de telefonia fixa; favoreceram a introdução de novas tecnologias, melhorando a qualidade do serviço prestado, gerando mais empregos e incremento na demanda por produtos de telecomunicações, além da diminuição das tarifas telefônicas. Em dezembro de 2006, 68 empresas possuíam autorização para prestar o STFC, totalizando 304 termos de autorização vigentes nas modalidades Local, Longa Distância Nacional e Longa Distância Internacional. No ano de 2006, foram também emitidas 28.962 Licenças de Estação de Comutação e 43.900 Licenças de Estação de Radiocomunicação vinculadas à prestação do STFC, números expressivos, estimulados pela prorrogação dos Contratos de Concessão. Em face dos avanços tecnológicos, foi identificada a necessidade de adequação do Regulamento para Expedição de Autorização para Prestação do STFC, de 2001, que trata dos procedimentos para obtenção de outorga. Esse regulamento estava em Consulta Interna, ao final do exercício, a fim de receber contribuições das áreas da Agência com envolvimento direto e indireto na questão. Entre as modificações propostas por esse regulamento, destacam-se: Projeto de Viabilidade Econômico-Financeira, a ser aplicado quando não atingido o Índice de Solvência; declaração de compromisso de manutenção das características de prestação do STFC; exclusões dos compromissos de abrangência, de atendimento e da concomitância; e a extensão da obrigatoriedade de prestar o STFC, nas modalidades LDN e LDI, em toda a área de prestação equivalente à área numérica definida no Plano Geral de Códigos Nacionais (PGCN). Em decorrência da acentuada utilização da tecnologia VoIP pelas prestadoras de telefonia fixa, surgiu a necessidade de atualização da Norma de Procedimento para Cadastramento, Licenciamento e Recolhimento das Taxas de Fiscalização de Estação de Comutação do STFC, de 2001. Entre as atualizações proporcionadas por essa Norma destacam-se a inclusão do conceito Estágio Remoto (ER) e a possibilidade de instalação de Estágio de Linha Remoto (ELR) em área Local distinta da estação à qual está vinculada. Regulamentos Assim, a preparação dos regulamentos complementares aos Contratos de Concessão apresentava, em síntese, ao final do exercício de 2006, o seguinte quadro:
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