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Internet das coisas: descubra como ela pode se refletir em seu cotidiano

Publicado: Sexta, 23 de Fevereiro de 2018, 16h31 | Última atualização em Terça, 27 de Agosto de 2019, 08h36 | Acessos: 3964

Imagine um mundo onde é possível conectar dispositivos eletroeletrônicos do cotidiano à internet. Onde carros, tratores, drones e até sapatos podem gerar dados e passar informações ao usuário. Quem vive nele consegue ver pelo celular o que falta na dispensa de casa, controlar à distância o consumo de energia do carro e receber recomendações de rotas, trânsito e músicas do próprio veículo enquanto dirige. Esse mundo é cada vez mais real.

A internet das coisas (também chamada de “IoT”, sigla em inglês para Internet of Things) conecta elementos da rotina das pessoas à internet. Eletrodomésticos, veículos, roupas, acessórios e outros equipamentos ficam ligados com a rede e trocam informações por data centers e pela nuvem, em uma dinâmica voltada a facilitar a vida do consumidor.

Os benefícios da IoT não estão ligados apenas ao dia-a-dia do consumidor. Se bem empregada, além de melhorar o bem-estar da sociedade e a qualidade de vida, poderá aumentar a produtividade em setores competitivos e o valor de produtos destinados à exportação. Desafia, ainda, a dinâmica das relações de trabalho e ampliará a demanda por profissionais com um novo perfil.

Segundo Gilberto Lacerda Santos, coordenador do Museu Virtual de Ciência e Tecnologia da Universidade de Brasília (UnB), a IoT é uma tendência que está avançando rapidamente e torna-se cada vez mais real. Essas mudanças mostram que a internet pode e vai estar em tudo, de acordo com o pesquisador. “Hoje o wi-fi já nos permite acessar internet de alguns dispositivos, principalmente de celulares. Mas, daqui a algum tempo, seremos capazes de acessar internet pelas superfícies de carro, geladeiras e assim por diante”, explica ele.

 

Mas como funciona?

A internet das coisas é uma infraestrutura de rede global e dinâmica. Ela se baseia em protocolos de comunicação em que coisas físicas – como eletrodomésticos, máquinas, carros, redes de energia, meios de transporte, segurança – e coisas virtuais – programas, sistemas, softwares – conseguem interagir e se comunicar entre si e com o meio ambiente pelo intercâmbio de dados.

Nessa conjuntura, as redes de telecomunicações das prestadoras de telefonia móvel e banda larga fixa serão usadas por uma série de fornecedores de serviços e produtos para viabilizar o tráfego de informações entre objetos, aparelhos e equipamentos e dispositivos tecnológicos.

Para ajudar a implementar essa tecnologia e melhorar a qualidade de vida do consumidor, a Anatel, em parceria com as prestadoras, trabalha para desenvolver uma boa estratégia de endereçamento e de numeração dessas informações. Tal atividade é essencial para se alcançar um bom ecossistema de internet das coisas.

‘’O papel da Anatel é atuar na regulamentação e no incentivo à construção de infraestrutura de telecomunicações, para que não sejam uma barreira ao desenvolvimento de IoT no Brasil”, esclarece Felipe Roberto de Lima, assessor da Gerência de Regulamentação da Agência. Ele ressalta que a regulamentação atual foi pensada para a internet acessada por pessoas. “Para a internet das coisas, algumas regras talvez não façam sentido ou mesmo se tornem um empecilho para este novo ecossistema”, pontua. Sobre a infraestrutura, o servidor explica que cabe à Anatel estabelecer iniciativas para a ampliação da cobertura das redes de telecomunicações, por onde o conteúdo gerado pelos dispositivos IoT vai transitar.

De forma objetiva, a Agência, considerando suas competências, tem preocupações bem definidas. Entre elas estão o modelo de outorgas no âmbito de IoT; diferenças regulatórias entre tecnologias baseadas na telefonia celular e em outras plataformas; espectro; numeração; e certificação e homologação de aparelhos.

A proteção ao consumidor em um ambiente de Internet das Coisas também é  foco de atenção da Anatel. As mudanças nas tecnologias e nos modelos de negócio tornarão as relações de consumo mais complexas, pois muitas empresas de setores diferentes – telecomunicações, indústria eletrônica, provedores de softwares e aplicativos – estarão envolvidas na atividade de manter um único aparelho conectado.

“Garantir que o consumidor seja bem informado sobre quais são seus direitos em relação a cada um dos muitos fornecedores com os quais terá de lidar será um grande desafio para as empresas e para os reguladores”, afirma Fábio Koleski, gerente de interações institucionais, satisfação e educação para o consumo da Anatel. “O consumidor tem o direito de saber a qual dos muitos atores deverá recorrer quando houver uma falha em seu produto, e que tipo de solução esses fornecedores devem providenciar. Além disso, como dispositivos ligados à internet das coisas coletarão informações sobre praticamente todo o cotidiano do consumidor,  é fundamental que as políticas de uso dos dados pessoais das empresas sejam muito claras”, completa.

 

Brasil formula Plano Nacional para internet das coisas

Em outubro de 2017, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTIC), em parceria com o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), divulgou o estudo “Internet das coisas: um plano de ação de ação para o Brasil”. A partir dele, pretende-se expandir a tecnologia no país com foco em ações voltadas para cidades inteligentes, saúde, agronegócios e indústria. Confira a íntegra do documento no portal do BNDES.

O desenvolvimento da internet das coisas no Brasil, segundo o estudo, tem como objetivos estratégicos: reduzir tempos de deslocamento no trânsito e aumentar o interesse de parcelas da população pelo transporte coletivo, aumentar a produtividade e a qualidade da produção rural pelo uso de dados, aumentar a capacidade de vigilância e monitoramento de áreas da cidade para diminuir situações de risco à segurança das pessoas, aumentar a eficiência dos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) e unidades de atenção primária a partir da adoção de soluções de Iot, entre outros.

Para isso, vários órgãos públicos têm trabalhado em parceria, conforme aponta o coordenador-geral de Ciência e Tecnologia do MCTIC, Thales Marçal Vieira Netto. A construção do plano passa por um Comitê Executivo e pela Câmara de IoT, ambos em funcionamento.  “No momento, estamos discutindo a distribuição de competências entre os ministérios e autarquias com vistas à internacionalização do plano”, afirma.

Estão em curso, ainda, outras iniciativas de IoT desenvolvidas ou apoiadas por entidades públicas. A Plataforma Aberta de Tecnologias para Internet das Coisas e Suas Aplicações, de autoria da Fundação CPqD e apoiada por recursos do Funttel, busca oferecer soluções e desenvolver tecnologias ligadas ao tema. Já a ABDI, em parceria com o Inmetro, implementam o projeto Ambiente de Demonstração de Tecnologias para Cidades Inteligentes. Por meio dessa iniciativa, empresas poderão submeter a testes, no Inmetro, tecnologias recém-desenvolvidas para cidades inteligentes.

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