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TELEFONISTAS

Telefonistas: as protagonistas na revolução da telefonia

Publicado: Quinta, 28 de Junho de 2018, 15h49 | Última atualização em Terça, 27 de Agosto de 2019, 08h36 | Acessos: 51194

Quando queremos ligar para alguém, apenas digitamos o número na tela do celular ou no telefone fixo e falamos diretamente com a pessoa, certo? Mas imagine se você tivesse que, primeiro, falar com a central telefônica e esperar ser redirecionado. Essa foi, durante décadas, a realidade: quando duas pessoas precisavam se comunicar, entrava em cena a telefonista.

Quando a primeira central de telefone entrou em ação, em 1878, em Connecticut, nos Estados Unidos, o mundo se deparou com uma novidade: ouvir a voz das pessoas por um aparelho e poder respondê-las. Contudo, não era possível realizar chamadas diretas entre os telefones, e junto com as centrais telefônicas surgiu, assim, a nova profissão de telefonista. Ela recebia a ligação e, com um painel à frente, conectava a tomada do telefone solicitado. Depois, entrava em contato com a outra pessoa, a quem se destinava a ligação, e transferia a chamada. Nas décadas seguintes, a essa atividade principal se somariam outras, como, por exemplo, auxiliar com a lista telefônica e informar aos clientes o horário correto, verificado em um grande relógio no alto da parede das salas onde trabalhavam as telefonistas. Para essa profissão reconhecida, a empresa americana Bell System declarou o dia 29 de junho como o dia das telefonistas.

No Brasil, telefonistas eram indispensáveis até, pelo menos, a década de 1980. Várias delas mantinham contato direto com os clientes, principalmente aqueles que iam às centrais telefônicas e esperavam, eventualmente por horas, alguma ligação. Essa cena era comum, já que os aparelhos e linhas residenciais eram caros e nem sempre estavam disponíveis. Aqui você pode checar a série histórica da expansão do telefone fixo no Brasil de 1972 a 2017.

Natural de Jaguari, no interior do Rio Grande do Sul, Mara Beccon foi uma das primeiras consumidoras a adquirir um telefone fixo na cidade, no início da década de 1980. Ela associa a imagem das telefonistas à própria chegada da telefonia ao município: “Você levantava o fone e falava ‘me dá o 102’ e a telefonista transferia a ligação”. Ela conta que havia cerca de 300 aparelhos na cidade e, portanto, muitas telefonistas. Nesse caso, morar em uma cidade pequena tinha suas vantagens: “A telefonista era afilhada da minha tia. Quando eu tentava ligar para essa tia, a telefonista me dizia: ‘a tia está jogando cartas na casa da amiga, ligue depois’”, lembra Mara.

No imaginário popular, essa profissão sempre foi desempenhada por mulheres. Mas, no início, quem operava os painéis eram meninos adolescentes, que muitas vezes faziam brincadeiras e usavam linguagem inapropriada no atendimento. Para contornar o problema, as empresas de telefonia decidiram contratar jovens moças.

Linda Ingarano, hoje com 98 anos, começou a trabalhar, aos 16 anos, como telefonista na companhia Telefônica da Borda do Campo em Santo André, São Paulo. Havia apenas 200 aparelhos de telefone na cidade e logo a companhia começou o processo seletivo entre as jovens moças da região. Linda foi uma das selecionadas: ‘’Entrei porque uma amiga minha já era telefonista e me incentivou a ser também’’, relembra. Contudo, naquela época, as condições de trabalho para mulheres eram mais difíceis. Nem sempre a família aceitava a ideia de uma moça ter uma carreira profissional. ‘’Eu fiz a entrevista escondida de meu pai e passei. Demorou um tempo até ele aceitar, mas logo ele viu que eu ganhava bem e podia ajudar em casa. E a nossa vida melhorou muito depois’’, relata Linda.

 

Mas como o telefone chegou ao Brasil?

Em 1876 o Imperador Dom Pedro II, após ter o primeiro contato com o aparelho ‘’que falava sozinho’’ (nas suas próprias palavras, segundo o relato oficial), durante uma exposição na Filadélfia, Pensilvânia, demonstrou grande interesse em instalar o telefone no Brasil. Assim, em 1879, o americano Charles Paul Mackie conseguiu a primeira concessão para estabelecer uma rede telefônica no Brasil. Começava a ser criada a Telephone Company of Brazil. Dois anos mais tarde, em 1881, a primeira Lista Telefônica do Brasil foi lançada, contendo todos os números das pessoas que tinham o aparelho, além de instruções de como utilizá-lo.

Desde então, o modelo de exploração da telefonia já passou por várias mudanças no país. Na primeira metade do século XX, as empresas eram privadas e frequentemente ocorriam problemas de interconexão e de manutenção das redes. Algumas delas foram, então, nacionalizadas. A partir da década de 1960, o governo federal promoveu a criação de um Sistema Nacional de Telecomunicações, ancorado em empresas públicas de telecomunicações que seguiam os mesmos parâmetros técnicos. Em 1998 ocorreu a privatização do setor.

 

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O consumidor tem direito a acesso a um espaço reservado para o cliente no site da prestadora. Com login e senha é possível verificar faturas, serviços, cancelamentos e extrato de consumo. O usuário pode solicitar o login a qualquer momento para a sua prestadora.

Nesse espaço, a prestadora deve fornecer gratuitamente relatório detalhado dos serviços e facilidades prestados nos últimos seis meses de serviço. Ao acessar o relatório, é possível conferir o número para o qual o consumidor ligou, o DDD ou localidade de origem e destino da chamada, a data, o horário e a duração da chamada.

Todas as suas contratações – feitas por telefone, por envio de mensagem, pela internet ou na loja – devem estar registradas no espaço do consumidor. Mas atenção: a prestadora não pode cobrar por serviços que o consumidor não autorizou previamente.