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Ato nº 413, de 21 de janeiro de 2018

Publicado: Segunda, 05 Fevereiro 2018 17:01 | Última atualização: Segunda, 08 Julho 2019 16:59 | Acessos: 179
 

 

 

Observação: Este texto não substitui o publicado no Boletim de Serviço Eletrônico em 5/2/2018.

 

O SUPERINTENDENTE DE OUTORGA E RECURSOS À PRESTAÇÃO - ANATEL, no uso das atribuições que lhe foram conferidas pela Portaria nº 419, de 24 de maio de 2013, e

CONSIDERANDO a competência dada pelos Incisos XIII e XIV do Art. 19 da Lei n.º 9.472/97 – Lei Geral de Telecomunicações;

CONSIDERANDO o Inciso II do Art. 9º do Regulamento para Certificação e Homologação de Produtos para Telecomunicações, aprovado pela Resolução n.º 242, de 30 de novembro de 2000;

CONSIDERANDO o Art. 1º da Portaria nº 419 de 24 de maio de 2013;

CONSIDERANDO o constante dos autos do processo nº 53500.009149/2016-55;

RESOLVE:

Art. 1º  Aprovar os requisitos técnicos referentes ao Produto "Fio Telefônico Externo (FE)", conforme o Anexo I deste Ato.

Art. 2º Este Ato entra em vigor na data de publicação no Boletim de Serviço Eletrônico da Anatel.

 

VITOR ELISIO GOES DE OLIVEIRA MENEZES

 Superintendente de Outorga e Recursos à Prestação

 

ANEXO I

REQUISITOS TÉCNICOS PARA A AVALIAÇÃO DA CONFORMIDADE DO PRODUTO FIO TELEFÔNICO EXTERNO (FE)

 

1. OBJETIVO

1.1. Este documento descreve os requisitos técnicos e procedimentos de ensaio para a avaliação da conformidade de Fio Telefônico Externo (FE).

2. REQUISITOS TÉCNICOS E PROCEDIMENTOS DE ENSAIO

2.1. Resistência Elétrica

2.1.1. Requisito:

a) A resistência elétrica do condutor, medida com corrente contínua, referida a 20o C e a um comprimento de 1 km, deve ser menor ou igual aos valores da tabela 1.

Designação

Resistência Elétrica do Condutor em Ω/km - Máxima individual

FE - 100

38,9

FE - 160

15,2

FE-AA-80

113

FE-AA-100

73

FE-AA-160

30

Tabela 1 - Valores limite da Resistência Elétrica do Condutor

 

2.1.2. Procedimento de ensaio:

2.1.2.1. Para medida da resistência elétrica dos condutores, deve ser usado um equipamento com imprecisão de, no máximo, 1% do valor medido.

2.1.2.2. Para fios acondicionados em carretel, a resistência elétrica dos condutores pode ser realizada em cada veia, em uma amostra de 10 m de fio, retirada de cada carretel tomado para teste.

2.1.2.3. Para fios acondicionados em rolos, a resistência elétrica dos condutores pode ser realizada em uma amostra de 1,0m de fio ou no próprio rolo.

2.1.2.4. No caso de fios formados em ternas, quadras quíntuplos ou sêxtuplos, o teste deve ser realizado em cada veia do fio.

2.1.2.5. Para correção da temperatura e metragem, o valor medido deve ser multiplicado pelo fator:

α = [1 + f(ϴ - 20)].1000/L

onde:

L - é o comprimento em metros de cada veia ou do lance de cabo testado.

ϴ - é a temperatura ambiente em oC.

f - é o fator de correção pela temperatura, em oC-1, sendo que para:

Cobre nu, estanho ou liga de cobre = 0,00393.

Liga de alumínio = 0,00403.

 

2.2. Resistência de Isolamento

2.2.1. Requisitos:

a) O valor da resistência elétrica de isolamento dos fios, referida a 20o C e a um comprimento de 1 km, deve ser maior ou igual aos valores da tabela 2

Designação

Material do isolamento

Resistência de Isolamento em MΩ/km

FE - 100

Composto de cloreto de polivinila (PVC)

1.000

FE - 100

Polietileno

10.000

FE - 160

Polietileno ou Copolímero

10.000

FE-AA-80

Composto de cloreto de polivinila (PVC)

1.000

FE-AA-100

Composto de cloreto de polivinila (PVC)

1.000

FE-AA-160

Polietileno ou Copolímero

10.000

Tabela 2 - Valores mínimos da Resistência de Isolamento

 

2.2.2. Procedimento de ensaio:

2.2.2.1.  Para medida da resistência de isolamento, deve ser usado um megômetro com imprecisão de no máximo 5% do valor medido.

2.2.2.2. A tensão de saída do megômetro deve estar compreendida entre 100 e 500 Vdc, sendo que o valor final da escala utilizada deve ser compatível com a leitura obtida.

2.2.2.3. A medida deve ser efetuada após, no máximo, um minuto de eletrificação, podendo o teste ser interrompido se o valor desejado for atingido.

2.2.2.4. No caso de condutores isolados com composto de PVC, as medidas devem ser realizadas em temperatura ambiente acima de 15C. Em caso de contestação dos valores medidos, estes devem ser repetidos a uma temperatura de 20 ± 2o C.

2.2.2.5. A resistência de isolamento deve ser medida imergindo cada rolo tomado para teste em água, por um período não inferior a 6 h.

2.2.2.6. As medidas devem ser efetuadas para cada condutor ligado ao terminal de teste do equipamento e o(s) outro(s) condutor(es) ligado(s) ao mandril ou à água e ao terminal do equipamento.

2.2.2.7. Os valores medidos devem ser corrigidos multiplicando-se pelo fator L/1000, onde L é o comprimento em metros do lance testado.

2.3. Tensão Aplicada

2.3.1. Requisitos:

a) Cada rolo de fio deve suportar, sem ruptura, por um minuto, uma tensão contínua de 1500 Vdc.

2.3.2. Procedimento de ensaio:

2.3.2.1. No ensaio de tensão aplicada, deve ser utilizada uma fonte de tensão com saída em corrente contínua.

2.3.2.2. A velocidade de aumento da tensão aplicada deve ser de, aproximadamente, 100 V/s.

2.3.2.3. A tensão especificada, quando atingida, deve ser mantida pelo tempo previsto, após o que deve ser diminuída até zero, sendo, então, desligado o equipamento.

2.3.2.4. Por segurança, deve-se manter os dois conjuntos em curto-circuito por um certo tempo para descarga.

2.3.2.5. Nos fios telefônicos, a verificação é feita condutor x blindagem, sendo que este ensaio deve ser realizado nas mesmas amostras e nas mesmas ligações utilizadas no teste de resistência de isolamento.

2.4. Resistência mecânica à tração e ao alongamento à ruptura do condutor

2.4.1. Requisitos:

2.4.1.1. Resistência mecânica à tração do condutor

a) Especificamente para os tipos de fios relacionados na tabela 3, o valor mínimo de resistência mecânica à tração de qualquer pedaço de condutor com 250 mm de comprimento deve ser: 

Tipo de Condutor

Material do isolamento

Resistência à tração (mínimo)

FE-AA-80

Polietileno ou Copolímero

42 kgf

FE-AA-100

Polietileno ou Copolímero

73 kgf

Tabela 3.

2.4.1.2. Alongamento à ruptura do condutor

a) Especificamente para os tipos de fios a seguir relacionados, o alongamento do condutor, na ruptura, medido em qualquer pedaço de condutor de 250 mm, deve ser de, no mínimo:

I - Fios FE-AA-80 e FE-AA-100 (antes da aplicação do isolamento): 0,8%;

II - FE-100, FE-160 e FE-AA-160 (após a aplicação do isolamento): 0,8%.

2.4.2. Procedimentos de ensaio:

2.4.2.1. O equipamento a ser utilizado é uma máquina de tração (dinamômetro) equipada dispositivo para indicar a carga aplicada, com exatidão de 1%;

2.4.2.2. O alongamento deve ser medido através do dispositivo automático ou de uma régua milimetrada;

2.4.2.3. Devem ser retirados três corpos de prova das amostras representativas dos lotes de fios a testar;

2.4.2.4. A primeira espira deve ser eliminada do rolo ou carretel;

2.4.2.5. Os corpos de prova devem ter seu isolamento retirado de maneira adequada, observando-se o cuidado de não estirar ou provocar outras deformações no condutor.

2.4.2.6. Os comprimentos dos corpos de prova devem ser aproximadamente 500 mm e deve ser realizado o teste de comprimento entre as marcas de 250 mm ou efetuar o teste na distância entre garras de 250 mm.

2.4.2.7. A ruptura do corpo de prova deve ocorrer:

a) A pelo menos 25 mm das garras quando utiliza-se o método da distância entre garras. Se a ruptura ocorrer a menos de 25 mm o corpo de prova está reprovado.

b) Entre o comprimento entre marcas, quando for utilizado o método da distância entre marcas. Será reprovado o corpo de prova se a ruptura ocorrer fora do comprimento entre marcas.

2.4.2.8. A velocidade de afastamento das garras da máquina de tração deve ser de aproximadamente 100 mm/min, para cobre e alumínio e aproximadamente 50 mm/min para liga de cobre.

2.4.2.9. Para o ensaio de resistência à tração deve ser considerado o diâmetro médio medido em um ponto situado entre marcas ou entre as garras antes da operação de carga e, a partir deste diâmetro, deve ser calculada a área do condutor para obtenção do valor da carga em kgf/mm2.

2.5. Resistência mecânica à tração e ao alongamento à ruptura do material do isolamento

2.5.1. Resistência mecânica à tração do isolamento

2.5.1.1. Requisitos:

a) Aplicar o ensaio de resistência mecânica à tração em todos os tipos de fios, registrando os valores obtidos.

b) Especificamente para os fios tipo FE, com polietileno como material de isolamento, o valor mediano mínimo da resistência à tração deve ser: 1,193 kgf/mm2.

2.5.2. Alongamento à ruptura do isolamento

2.5.2.1. Requisitos:

a) Aplicar o ensaio de alongamento à ruptura em todos os tipos de fios, registrando os valores obtidos.

b) Especificamente para os fios tipo FE, com polietileno como material de isolamento, o valor mediano mínimo (percentual) do alongamento à ruptura deve ser: 400%.

2.5.3. Procedimentos de ensaio:

2.5.3.1. O equipamento a ser utilizado é uma máquina de tração (dinamômetro) equipada dispositivo para indicar a carga aplicada, com exatidão de 1%.

2.5.3.2. O alongamento deve ser medido através do dispositivo automático ou de uma régua milimetrada.

2.5.3.3. Retiram-se três corpos de prova de comprimento suficiente para que seja respeitada a distância de 50 mm entre garras quando da execução do teste.

2.5.3.4. Retira-se, de cada corpo de prova, o condutor evitando-se danificar o isolamento.

2.5.3.5. Para o isolamento de composto de PVC:

a) Delimita-se, no meio do corpo de prova uma distância de 20 mm por meio de marcas e determina-se a seção do isolamento em um ponto compreendido entre as marcas.

b) Os corpos de prova devem ser acondicionados a uma temperatura de 23 ± 2o C, durante, pelo menos, três horas e a seguir efetuar o teste de tração e alongamento à ruptura nessa mesma temperatura.

c) A distância entre as garras deve ser de aproximadamente 50 mm.

d) A velocidade de tração deve ser de 300 ± 50 mm/min.

2.5.3.6. Isolamento em Polietileno ou Polipropileno:

a) Delimita-se no meio do corpo de prova, uma distância de 25 mm por meio de marcas e determina-se a seção do isolamento.

b) Efetua-se o teste após acondicionamento dos corpos a uma temperatura de 24 ± 4oC durante um mínimo de três horas.

c) Efetua-se o teste de tração e alongamento à ruptura com velocidade entre as garras de 50 mm/min. Esta velocidade, no entanto, pode ser elevada até 500 mm/min para maior rapidez nas provas.

d) Os corpos de prova que não satisfizerem aos requisitos mínimos devem ser retestados à velocidade de 50 mm/min, sendo considerado apenas esse resultado.

2.6. Envelhecimento acelerado

2.6.1. Requisitos:

a) Os valores obtidos de resistência à tração e alongamento à ruptura do isolamento após aplicação do ensaio de envelhecimento acelerado devem ser comparados, percentualmente, em relação aos valores registrados antes do ensaio de envelhecimento acelerado.

b) A variação percentual deve ser, no máximo, de:

I - Resistência à tração: 20%;

II - Alongamento à ruptura: 40%.

2.6.2. Procedimentos de ensaio:

2.6.2.1. Preparar três corpos de prova conforme indicado nos testes de resistência à tração e alongamento à ruptura.

2.6.2.2. Os corpos de prova devem ser acondicionados em estufa com circulação de ar, à temperatura de 80 ± 2°C durante 168 horas.

2.6.3. Os corpos de prova devem ser suspensos verticalmente e, de preferência, no meio da estufa.

2.6.4. Cada corpo de prova deve distar no mínimo 20 mm um do outro.

2.6.5. Imediatamente após o período de acondicionamento, os corpos de prova devem ser removidos da estufa permanecendo à temperatura ambiente, pelo menos 16 horas, evitando-se a exposição direta à luz solar.

2.6.6.Em seguida procede-se ao teste de resistência à tração e alongamento à ruptura no isolamento.

2.6.7. Os valores obtidos de resistência à tração e alongamento à ruptura, após o ensaio de envelhecimento acelerado, devem ser comparados percentualmente em relação aos valores registrados antes do ensaio de envelhecimento acelerado, conforme a expressão abaixo:

D% = ( Valor Original - Valor Envelhecido ) / (Valor Original) x 100

2.7. Teor de Negro de Fumo

2.7.1. Requisitos:

a) Aplicável apenas aos fios do tipo FE;

b) Fio FE-160 com isolamento de polietileno ou copolímero: mínimo de 2,0%;

c) Qualquer fio FE com isolamento de polietileno: mínimo de 2,0%.

2.7.2. Procedimento de ensaio:

2.7.2.1. A verificação do teor de negro de fumo no isolamento do fio deve ser realizada de acordo com a seguinte norma: ABNT-NBR-7104 - Determinação do Teor de Negro de Fumo e Conteúdo de Componente Mineral em Polietileno.

2.8. Peso líquido do fio

2.8.1. Requisitos:

a) Aplicável apenas aos fios FE-AA-80 e FE-AA-100 com isolamento de polietileno ou copolímero;

b) Peso líquido nominal do fio FE-AA-80: 22 kg/km;

c) Peso líquido nominal do fio FE-AA-100: 30 kg/km.

2.9. Coeficiente de absorção UV

2.9.1. Requisitos:

a) Aplicável apenas aos fios FE-100 e FE-160 com isolamento de polietileno;

b) Coeficiente de absorção UV mínimo: 4.000 Abs/cm.

2.9.2. Procedimento de ensaio:

2.9.2.1. Aplicar os procedimento de ensaio descritos na ASTM D3349.

2.10. Resistência à fissuração

2.10.1. Requisitos:

a) Aplicável apenas aos fios FE-100 e FE-160 com isolamento de polietileno;

b) Máximo de falhas em 10 amostras em 24 horas: zero falhas.

2.10.2. Procedimento de ensaio:

2.10.2.1. O teste de resistência à fissuração no polietileno deve ser realizado conforme descrito na Norma ASTM D1693.

2.10.2.2. Os corpos de prova que porventura se soltarem dos pentes durante a execução do ensaio não devem ser considerados. 

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

3.1. Os procedimentos de ensaios não discriminados serão objeto de estruturação pelos laboratórios avaliados pelos OCD.

3.2. Os procedimentos para a coleta de amostras quando não tratados nos documentos normativos, serão definidos entre os OCD, laboratórios de ensaios e fabricantes.

3.3. As amostras do produto a ser certificado deverão vir acompanhadas de uma declaração do fabricante, indicando terem sido coletadas na produção.

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